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Impressões sobre o debate Produção de Conteúdo Multiformato Multiplataforma

Aconteceu no último sábado o Dissenso, resultado das pesquisas e projetos do Repia (Residência de Pesquisa Interdisciplinar Avançada). Como parte da programação do evento, foi realizado o debate Produção de Conteúdo Multiformato Multiplataforma, dividido em duas sessões – “Convergência Tecnológica e a TV Digital” e “Desenvolvimentos de Aplicativos Multiformato”.

Uma das novidades que chamou a atenção foi a experimentação no formato de debate. Com infra estrutura da Rede Nacional de Pesquisa foi montado um debate presencial e online. No auditório do Conservatório de Música da UFMG pessoas de várias idades acompanharam os debates.

Em sua primeira etapa com o tema Convergência Tecnológica e TV Digital, o debate foi mediado pelo o professor Luciano de Errico (CPDEE/UFMG) e contou com a presença de Cosette Castro, professora da Universidade Católica de Brasília UCB. Virtualmente estavam Carlos Ferraz (CIn/UFPE e C.E.S.A.R) e Yvana Fechine (PPGCOM/UFPE).

A palavra inicial foi de Cossette Castro que ressaltou que é necessário ter um “olhar transdisciplinar para compreender as NTICs, a convergência e os formatos digitais”. Ela ainda destacou que “somente há 20 anos temos uma linguagem televisiva, obviamente que não teríamos algo pronto para a TV digital, que é absolutamente diferente do formato da TV analógica. É preciso reaprender tudo”, conclui. De acordo com a palestrante a “tv digital é pensada do ponto de vista tecnológico, mas não da ponta, da questão de conteúdo. Só há investimento em software.”

Carlos Ferraz ressaltou que a “questão da interatividade tem apresentado problemas em todo o mundo e pois falta um modelo de negócio para ela” Além disso ele ressalta também que “questão da usabilidade precisa ir para a TV, que nada mais é que um computador com controle remoto, sem entretanto significar que simplificar ponha em risco a atratividade.” Ele fala da necessidade de um novo profissional de criação para a TV, para a produção de conteúdos digitais.

A professora IYana Fechine realiza sua intervenção afirmando que “a TV criou formas de recepção e que com a TV digital é preciso assitir televisão de uma forma diferente dos últimos 50 anos, são novas formas de fruição”. Além disso ela ressalta que “é preciso rever os modos de produção constituídos, pois todos os agentes devem estar envolvidos desde o início, na concepção”.

A organizadora do evento e professora da UFMG Regina Mota resume a questão com o comentário “A porta de upload da televisão está fechada”. Carlos Ferraz complementa dizendo que “há pouquíssimos laboratórios no Brasil. Os simuladores de interatividade estão distantes da realidade. Laboratórios diferenciados são necessários”. Cossetti Castro ainda atesta que “as instituições de ensino são resistentes à pesquisas multidisciplinares” e Regina Mota observa que é “um desafio pensar a partir de uma nova lógica”.

Luciano de Errico resume o debate afirmando que “a interação é a chave, mas como ela vai ocorrer, qual o canal de retorno? A internet?”. Todos parecem concordar com isso, e Carlos acrescenta que a “questão da escalibilidade é uma questão para a IPTV, pois são milhões de acessos em poucos segundos, e para isso é preciso muita ainfra estrutura”.

O segundo debate teve como tema o Desenvolvimento de Aplicativos Multiformato e foi mediado pelo professor Francisco Marinho, da UFMG. Contou com a presença de Rodrigo Matos da Vivo e virtualmente com Alex Sandro Gomes (Projeto Amadeus/CIn-UFPE).

Francisco Marinho começou provocando ao afirmar que “é preciso uma nova forma de ver o mundo, uma nova cognição”. Perguntou aos debatedores sobre a” produção de conteúdo pensado em educação em várias plataformas”. Foi a deixa que Alex Gomes, do projeto REDU, precisou para atestar que “a educação à distância vem sendo criada com se faz na educação presencial, assim como afirmaram no debate anterior que a TV digital vem sendo tratada como a analógica com imagem e som melhores”. Segundo ele o “debate sobre a produção de conteúdo para canais distintos está muito centrado no meio, na tecnologia e menos no conteúdo e interface. É preciso desenvolver plataformas que permitam a experiência em várias plataformas, ou seja, as multiplataformas precisam se complementar”. Alex Gomes explicou que “a experiência da pessoa está no centro do processo de educação à distância e esta experiência passa por várias plataformas, o que chamam de blended learning”. Regina Motta concorda afirmando que “a noção de aprendizagem ainda está muito associada à sala de aula”. Alex conclui sua fala afirmando que “o planejamento da educação à distância não precisa estar centrado na plataforma, mas no usuário”, apresentando conceitos do design centrado no usuário.

Rodrigo Matos cita alguns exemplos que a Vivo vem experimentando, tais como o Kantoo, um aplicativo gratuito que por SMS ensina inglês e possui mais de um milhão de clientes.

O mediador Francisco Marinho questiona “como criar linguagens de conexão entre estes dispositivos, como usá-los para fora de suas intenções originais, como criar novos conteúdos, linguagens?”

A partir daí a platéia se empolgou e entrou no debate. Um dos comentários que se seguiram foi o de Lucas Junqueira falando que “agora pensamos em interações entre aparelhos, na ideia de criar máquinas que conversam em várias telas e camadas de interação”.

O debate foi interrompido pelo tempo que se esgotou. Os participantes foram então convidados à abertura da exposição Repia Cubo Audiovisual no foyer da Escola de Música da UFMG.

Por Adriana Veloso, jornalista, especialista em design de interação e pesquisadora de tecnologias e educação – Articulista convidada do Instituto Crescer.

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