O carnaval é a única época em que o brasileiro tem o costume de sair para as ruas. Pular, dançar, vestir fantasias e não ter preocupações por alguns dias do ano. Beijar, namorar, festejar, cantar uma liberdade utópica.
Se o carnaval chegou elitista e se transformou popular com o tempo é inquestionável. Mas os G.R.E.S., dias de desfile na televisão, o marketing das marcas de cerveja, a badalação dos personagens da televisão e toda estrutura de entretenimento e negócios construída ao redor de uma manifestação popular poluiu e destruiu, de tal forma, a origem da demonstração carnavalesca, que algumas pessoas sentem a necessidade de urgir às ruas atentando para tal fato.
Se a cultura é o ópio do povo, porque não anti cultura, contra cultura?
Há pessoas que querem se ver longe do consumo que é a arte, o entretenimento e o mainstream. E se essas pessoas podem criar seus espaços e dividi-los com seus iguais sem ferir a liberdade dos outros, ou seja, sem agredir ou atentar contra ideologias diferentes, qual o motivo então da intolerância da repressão?
É carnaval. O bloco sai as ruas. Temos um objetivo, festejar a falência das imposições culturais, a negação de modelos e a criação de um cotidiano baseado em pressupostos libertários. O poder não é o objetivo final. Tampouco a acumulação de bens materiais. O único desejo é a liberdade.
E se o carnaval é época de sonhos porque alguns jovens não podem sonhar em construir uma vida em que se apropriem da construção do espetáculo midiático para destruí-lo?
Onde está o respeito pela diversidade? A manutenção da alteridade que pode garantir nossa sobrevivência em Gaia?
O carnaval revolução é um evento que existe há três anos e tem conseguido ser manter como um festival anti cultural que reúne diversos grupos e coletivos do país.